A foto que Rafael Greca apagou... e que levanta questionamentos em Matinhos

Fonte: Redes Sociais do candidato a vice-governador Rafael Greca antes de ser apagada.

"Na internet existe uma regra não escrita: antes do botão 'excluir', geralmente vem o botão 'print'."


Uma publicação feita pelo candidato a vice-governador Rafael Greca acabou chamando atenção muito além do tradicional registro de um almoço entre amigos.


Na postagem, Greca relatava um encontro em São Rafael das Laranjeiras e fazia questão de citar nominalmente os presentes: o prefeito de Matinhos, Eduardo Dalmora; a secretária municipal de Turismo, Kássia Novchadlo; e o juiz de Direito da Comarca de Matinhos, Ricardo José Lopes, marido da secretária.


Horas depois, a publicação desapareceu das redes sociais.


O problema é que, na era digital, apagar uma postagem não significa apagar sua existência.


Os prints permanecem.


Até aqui, alguém pode perguntar:


"Qual o problema de autoridades almoçarem juntas?"


Isoladamente, nenhum.


Autoridades públicas têm vida privada, amigos e convivência social.


Mas o contexto faz toda a diferença.



A FOTO É APENAS UMA FOTO?


O juiz citado na publicação é o mesmo magistrado responsável por processos envolvendo agentes políticos de Matinhos.


Nos últimos meses, vieram a público declarações do advogado da vereadora Hirman da Saúde sustentando que processos semelhantes envolvendo outros agentes políticos, (incluindo o próprio prefeito de Matinhos), permanecem há anos sem solução, enquanto a ação envolvendo sua cliente teria tramitado em ritmo diferente.


Essas alegações fazem parte do debate público e devem ser analisadas à luz dos autos e das decisões judiciais.


A fotografia, por si só, não comprova qualquer favorecimento, parcialidade ou irregularidade.


Mas ela inevitavelmente desperta uma pergunta que qualquer cidadão faria:


Essa proximidade pública fortalece ou enfraquece a confiança da população na imparcialidade do Poder Judiciário?





A IMPARCIALIDADE PRECISA TAMBÉM PARECER IMPARCIAL


O Código de Ética da Magistratura Nacional estabelece que a atuação do magistrado deve preservar a independência, a imparcialidade e a confiança da sociedade no Judiciário.


Não basta que o juiz seja imparcial.


É fundamental que também pareça imparcial perante a sociedade.


A credibilidade do Judiciário depende não apenas das decisões proferidas, mas da percepção pública de que essas decisões são tomadas sem influência, proximidade ou favorecimento.


É justamente por isso que, em diferentes ocasiões, o Conselho Nacional de Justiça analisou a participação de magistrados em eventos políticos ou situações capazes de comprometer a imagem de neutralidade exigida pela função.




POR QUE A PUBLICAÇÃO FOI APAGADA?


Essa talvez seja uma das perguntas mais curiosas.


Se a reunião não apresentava qualquer inconveniente, por que a postagem foi removida?


Houve preocupação com a repercussão?


Alguém alertou que a fotografia poderia gerar questionamentos sobre a aparência de imparcialidade?


Ou a exclusão ocorreu por outro motivo?


Até o momento, não há explicação pública.



AS PERGUNTAS QUE A SOCIEDADE TEM O DIREITO DE FAZER


A função do jornalismo não é condenar pessoas.


Também não é absolver.


É perguntar.


E algumas perguntas são inevitáveis:

  • É recomendável que um magistrado responsável por processos envolvendo agentes políticos apareça em confraternizações privadas com essas mesmas autoridades?

  • Essa exposição fortalece ou enfraquece a confiança da população no Poder Judiciário?

  • A proximidade institucional e social pode comprometer, ainda que apenas na percepção pública, a imagem de independência exigida da magistratura?

  • Por que a publicação foi retirada das redes sociais após repercutir?


São perguntas legítimas em qualquer democracia.



TRANSPARÊNCIA É A MELHOR RESPOSTA


Quanto maior a responsabilidade de um agente público, maior também deve ser seu compromisso com a transparência.


A sociedade não exige que juízes deixem de ter vida social.


Mas espera que preservem, acima de qualquer dúvida, a confiança na independência e na imparcialidade da Justiça.


No fim das contas, talvez essa tenha sido apenas uma confraternização entre conhecidos.


Talvez.


Mas quando Executivo e Judiciário aparecem lado a lado em um contexto de processos de interesse público, o debate deixa de ser sobre amizade.


Passa a ser sobre confiança nas instituições.


E confiança pública não se conquista apenas com decisões judiciais.


Também se constrói com prudência.


Nota: Esta reportagem baseia-se em uma publicação pública posteriormente removida das redes sociais, preservada por meio de captura de tela, e em informações de interesse público. A imagem da confraternização, por si só, não comprova qualquer irregularidade. O espaço permanece aberto para manifestação e esclarecimentos de todos os citados na matéria.

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